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Lenzo já estava acostumado com os guardas bem paramentados na frente dos portões do castelo — o que o deixou ainda mais surpreso por ser barrado por um deles.

— Não pode entrar.

— Por quê? — Perguntou Lenzo.

— Só com autorização.

— Ela disse isso?

— São as ordens da senhora Rainha.

— Sim, mas quando ela disse isso?

O soldado travou, ainda no caminho de Lenzo.

— Sou eu! — Disse, diante do silêncio do soldado.

— É claro que é. — Concordou o guarda, posicionando-se mais atrás, exatamente à frente da porta. — Mas não posso deixar o senhor entrar.

— Eu estou dizendo que eu tenho autorização para entrar! — Irritou-se Lenzo. — Você é novo aqui? Nunca me viu?

— … S-sim, senhor. Nunca vi o senhor.

Lenzo ouviu alguma movimentação do lado de dentro. Quando já começava a pensar se aquele era um artifício de Haro — ou, enfim, Kahae — para entrar na casa e não ser interrompido ao fazer o que quisesse com Rainha, a própria surgiu por detrás da porta, empurrando o guarda para frente num esbarrão.

— Lenzo! Deixe-o entrar. — Explicou ela, chamando o primo pela mão.

Os dois foram até a sala, e Rainha não esperou que se sentassem para perguntar sobre as notícias — pedira a Lenzo que fosse assim que pudesse, num dia em que aulas não estivessem programadas, ao centro de Al-u-een.

— Eles discutiram o-o retorno das tropas que foram a Rouneen. Parece que a frota de Al-u-ber foi derrotada e a cidade está segura.

— Qual cidade, Rouneen?

— Sim… Por causa disso eles decidiram aproveitar e atacar Al-u-ber pelo mar.

Rainha expandiu os olhos, quase dando passos para trás.

— Al-u-een vai lutar com três cidades ao mesmo tempo?

— Eles já estavam fazendo isso com Rouneen, então…

— Mas não se toma Al-u-ber de assalto com a mesma quantidade de guerreiros que se toma Rouneen… Rouneen é uma cidade minúscula, não é?

— Sim, mas, por outro lado, Karment-u-een já está tomada de qualquer forma… Não perderam quase ninguém, a cidade estava praticamente vazia de tropas.

— E a Cidade Arcaica?

Lenzo balançou a cabeça negativamente.

— Nenhuma notícia ainda.

A dona do castelo respirou fundo, passando a olhar para fora da janela como quem tenta se lembrar de um sonho.

— Você acha que ainda há esperança para nós, contrários ao Conselho? — Perguntou ela.

Lenzo deu de ombros, encolhendo seu olhar até representar com ele o quanto se achava insignificante no meio de toda aquela história.

— Não sei o que pensar… Eu não sei quão fortes são os outros, e-e mesmo que soubesse…

Compassiva, Rainha olhou para ele com pena que valia para os dois ao mesmo tempo.

— Eu não quero que os magos ganhem… Eles não merecem, Lenzo, isso não é justo.

— Teve notícias daquele homem estranho de novo? O capataz do seu pai?

— Não… — Respondeu ela, esquiva. — E espero que ele não apareça de novo.